Ontem, voltando da PUC, com a cabeça pesada de tantas ideias e dúvidas sobre o projeto que estou escrevendo sobre a série Sex and the City, comecei a me questionar sobre os desdobramentos da trama no contexto capitalista da cidade de Nova Iorque.
Talvez bastante inspirada por Carrie - a personagem principal da minha nova série favorita - senti uma vontade imensa de escrever meus questionamentos novamente. De repente, senti acordar dentro de mim aquela garota do ensino médio, extremamente apaixonada pela maneira ironicamente deliciosa de Luis Fernando Veríssimo falar sobre a vida.
Como boa publicitária que sou, peguei o bloquinho de anotações na bolsa e o lápis que prendia meu cabelo e comecei a escrever. A euforia não durou muito, pois fui interrompida por um senhor de aparência muito simples, com roupas rasgadas, uma moeda de R$1,00 na mão e um olhar bastante sofrido no rosto.
Sem que ele pudesse dizer uma única palavra logo me adiantei e respondi "não tenho". E realmente não tinha mesmo, pois desde que comecei uma nova luta contra a balança evito sair com dinheiro para conter meus impulsos de consumo excessivo de junk food, causados por qualquer crise de ansiedade.
O senhor se afastou sem dizer nada e continuou ali com sua moedinha na mão pedindo algum trocado as outras pessoas que estavam no ponto de ônibus. Para a minha não surpresa, a maioria das pessoas deram a mesma resposta que eu. Fiquei intrigada. Será que todas as pessoas ali não tinham uma moeda se querer no bolso? Ou será que todas estavam mentindo? Ou pior ainda, será que elas também achavam que eu estava mentindo?
Pensar no julgamento das pessoas sobre você pode ser cruel. Me deu uma vontade de gritar que eu realmente não tinha uma moeda, mas me contive.
Me perdi tanto nos meus questionamentos e me culpei tanto por não ter dinheiro que quando voltei a órbita, o senhor estava ali sentado ao meu lado contando suas novas duas ou três moedas na mão. Parei e o olhei profundamente por alguns segundos e ele sorriu.
Talvez eu tenha lhe dado mais que uma moeda, não sei. Mas naquele momento tive certeza de que ele acreditou em mim.
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